Copa do Mundo / Olimpíadas

O desejo era antigo. Durante décadas, o Rio alimentou o sonho olímpico. A vontade, porém, tornou-se apenas um nó que custava a se desfazer, o que só aconteceu no dia 2 de outubro de 2009, quando milhares de pessoas se reuniram nas areias de Copacabana para ouvir o belga Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), dizer o nome da nossa cidade, deixando para trás Chicago, Madri e Tóquio. Para completar a alegria, o Brasil sediará a Copa de 2014 e o Rio, claro, se prepara para o evento.
Numa cena emocionante, impensável até bem pouco tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Sérgio Cabral e o prefeito da capital, Eduardo Paes, se abraçaram e comemoraram juntos a vitória que não era só deles, mas também de todos os brasileiros.
O processo de parceria se mostrou eficiente logo no primeiro ano de governo Sérgio Cabral, em 2007. Com boa parte das obras para os jogos Pan-Americanos atrasada, Cabral e Lula se uniram para que o Rio não enterrasse de vez as chances olímpicas. Em seis meses todos os equipamentos esportivos ficaram prontos. O primeiro foi o Maracanãzinho, totalmente reformado e hoje um dos mais modernos ginásios da América Latina.
O sonho olímpico não saía mais da cabeça do governador e, em janeiro de 2008, ele foi pessoalmente formalizar nossa candidatura. Foi o único concorrente a fazer isso. Um ano depois o projeto estava pronto.
Para transformar o estado serão necessários investimentos da ordem de R$ 20 bilhões em projetos nas áreas de Infraestrutura, Meio Ambiente, Transporte, Segurança, Saúde e Esporte. A mobilidade urbana passará por uma revolução com a criação de novas linhas de metrô, além da criação de corredores expressos (BRTs) e reforma dos trens suburbanos. São quase R$ 9 bilhões somente em transporte de massa.
No Jardim Oceânico, na Barra, as explosões para a abertura do túnel da linha 4 do metrô, ligando o bairro à Gávea, já começaram e, na Região Metropolitana, um Arco rodoviário de 145 quilômetros desafogará os centros urbanos.

O Rio, porém, vinha de décadas de abandono e precisava reestruturar outras áreas. A principal delas era a que mais manchava a imagem do estado no exterior: a Segurança Pública. Afinal, como receber milhares de atletas e turistas do mundo inteiro num lugar que frequentemente estava nas páginas policiais dos principais jornais do planeta? A pacificação das favelas, iniciada em 19 de dezembro de 2008 no morro Santa Marta, em Botafogo, dava a resposta.
Outra área sensível e uma das maiores responsáveis pela desclassificação para os jogos de 2004 e 2012 era o Meio Ambiente. Para os dirigentes do COI era inimaginável realizar alguma prova em lagoas mal-cheirosas e numa baía poluída. Parcerias com o setor privado e investimentos públicos estimados em quase R$ 3 bilhões convenceram os executivos de que era possível reverter o quadro. E as mudanças já são sentidas pela população, que vai assistir às competições de remo e canoagem na lagoa Rodrigo de Freitas e de Vela na baía de Guanabara.
O ápice dessas mudanças acontecerá entre os dias 5 e 21 de agosto de 2016, quando a elite esportiva mundial estará no Rio. Milhares de jornalistas virão para transmitir o espetáculo a todo o planeta e, com certeza, faremos bonito. Em casa, também mostraremos nossos atletas. Muitos que, hoje, dão os primeiros passos na carreira. Para incentivar esses jovens, programas de incentivo à prática esportiva, como o Segundo Tempo, estão sendo criados, assim como a construção de Vilas Olímpicas.
Em parceria com o Ministério dos Esportes, 400 escolas terão suas infraestruturas transformadas. Além disso, mapeamento do governo do estado já identificou 151 outras unidades nas quais já há projetos e possuem forte potencial de gerar grandes atletas. Nem as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ficaram de fora. Em todas elas já há jovens treinando algum tipo de esporte. O importante, neste momento, é despertar o interesse da criança e do jovem e estimular aqueles que já praticam, criando condições para que possam desenvolver plenamente seus talentos.
Barcelona é frequentemente lembrada como a cidade que renasceu após os Jogos Olímpicos de 1992. O Rio já entra para a história esportiva como sede dos primeiros jogos na América Latina. O legado, tal qual a capital catalã, será um novo estado, dinâmico e com espírito rejuvenescido. É um novo momento que só começou.
