Conquistas - Sociais

Falar de conquistas sociais significa fazer um cálculo complexo. Como, por exemplo, incluir na equação - além dos números frios de investimentos, evolução patrimonial e poder aquisitivo – o fator qualidade de vida, satisfação com a realidade que o cerca e prestação de serviço público de qualidade.

Há cinco anos, em 2006, o Rio figurava como um dos patinhos feios da federação. Dois anos antes o governo federal teve que intervir na Saúde, com verdadeiros hospitais de campanha montados em praças. O tráfico atacava, sem medo de represálias, o próprio palácio do governo e o interior parecia pertencer a outro país, separado por um abismo de diferenças sócio-econômicas, sem atenção ou investimentos.

A revolução na Saúde teve seu marco zero com concepção de um novo plano de atendimento hospitalar, cuja ponta de lança foi o bem sucedido projeto das Unidades de Pronto Atendimento 24 horas, as UPAs. Sozinhas, já representaram uma mudança na mentalidade antiga, pela qual o cidadão não tinha como ser atendido de madrugada nos postos de saúde. Como se doença tivesse hora certa.

As UPAs, porém, são apenas o início de um processo mais complexo, que prevê a distribuição de paciente por unidades especializadas de média e alta complexidade, feita já no primeiro atendimento nas unidades básicas. O resultado imediato foi uma queda de 50% de mortes por infarto, uma grande vitória da vida.

Segurança pública era um tema tão espinhoso que muitos já haviam desistido de acreditar que um dia viveriam em paz. Sem dúvida uma das conquistas mais emblemáticas do Rio nas últimas décadas, a pacificação de comunidades antes dominadas pelo terror teve um impacto tão forte na população que, hoje, as pessoas já se perguntam como isso não foi feito antes. Nenhuma fórmula matemática consegue medir essa conquista. Como medir a felicidade de, simplesmente, andar em paz no lugar em que se vive? De parar num boteco para um papo com os amigos sem ser ameaçado por bandidos armados?

Muito ainda precisa ser feito. Foram décadas de abandono e não se muda uma realidade de uma hora para a outra. Com a conquista da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 já demos mais um passo rumo a um futuro melhor. O cidadão do Rio já sente isso e faz questão de demonstrar no dia a dia. Mais confiante, orgulhoso, sem o olhar pesado de antes. E por que não dizer? Mais feliz.