UPA 24 Horas

Saúde de qualidade: mais que necessidade, um direito do cidadão

Santa Catarina, São Paulo, Pernambuco, Acre e Minas Gerais. Estes são apenas alguns dos estados que receberam, nos últimos três anos, aquele que é considerado um dos mais eficientes modelos de emergência hospitalar: a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas, as UPAs. Idealizadas no Rio de Janeiro pelo governo Sérgio Cabral, elas já estão presentes em outros estados brasileiros e até no exterior, na Argentina.

A primeira UPA foi construída no conjunto de favelas da Maré, em 2007. O modelo criou uma malha de atendimento primário essencial para salvar vidas. O impacto das unidades foi imediato cujo primeiro indicador positivo foi a morte por infarto que, imediatamente, caiu pela metade nos atendimentos das UPAs.

Sempre foi repetida à exaustão a teoria sobre o esvaziamento econômico do Rio após a transferência da capital para Brasília e o enorme passivo estrutural adquirido anos depois, com a fusão com o estado da Guanabara. A Saúde foi, talvez, a parte mais sensível do processo de desmonte do estado. O sucateamento da rede pública atingiu níveis caóticos em 2004, quando foi necessário o governo Lula fazer uma intervenção federal no Rio. Por semanas a capital fluminense parecia uma praça de guerra com barracas montadas como hospitais de campanha.

Pouco a pouco, a situação vem tomando outro caminho. O difícil, mas não impossível, resgate da qualidade na saúde pública deve passar por uma completa reestruturação do sistema e as UPAs são o primeiro passo nesse sentido.

As UPAs não são a única medida para recuperar as décadas de descaso no Rio. Elas são a ponta de uma rede integrada de Saúde. A parte mais sensível, por receber todos os casos de emergência onde a rapidez na tomada de decisão pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Passado o momento crítico, se for necessário, o paciente deve ser encaminhado a um hospital ou clínica especializada. E é esta a segunda fase do projeto já em andamento do governo do estado do Rio.

O objetivo é criar hospitais de alta complexidade e unidades específicas para tratamentos de politraumatismos e cardiologia. Além disso, haverá clínicas destinadas a atender hipertensos, diabéticos, dependentes químicos de crack, a família e a mulher. É a gestão integrada desta rede que fará toda a diferença nos próximos anos.

Os hospitais existentes deixarão de ser a única opção da população e o excesso de procura numa única unidade dará lugar à racionalização e à descentralização do atendimento.

A solução para a Saúde no Rio não é mágica. Tampouco imediata. É necessário reconstruir o que foi destruído ao longo de décadas e acrescentar novos serviços, de acordo com as modernas técnicas médicas. O processo já começou e é fundamental que continue pelos próximos anos.