Juntos (e misturados) pela paz

"No futuro as pessoas vão lembrar de um Rio de Janeiro antes e outro depois da passagem de Sérgio Cabral pelo Governo do Estado". As palavras são fortes, mas foram ditas por alguém que sabe do que está falando. José Pereira de Oliveira Júnior, ou apenas José Júnior, é coordenador executivo do Grupo Cultural Afroreggae e peça importante neste momento de mudança do Rio. 

Articulador social, Júnior tem acesso livre nas favelas e circula bem em todas as camadas sociais. Foi ele quem há quatro anos decidiu caminhar com o então vice-governador eleito, Luiz Fernando Pezão, pelos becos e vielas do Complexo do Alemão, Zona Norte da capital, para mostrar as necessidades da comunidade. O resultado não demorou a chegar, e a favela conta hoje, entre outras coisas, com um teleférico e conjuntos habitacionais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A amizade com o político Sérgio começou em 2002, quando ele ainda era candidato a senador da República. Os dois tinham recebido um prêmio juntos, e, na cerimônia de premiação, que aconteceu um dia antes da eleição, o então candidato disse que precisava conversar com José Júnior.

– Achei legal, porque os políticos sempre me procuravam durante a campanha, normalmente para pedir o meu apoio. Ele não. O Sérgio fez o contrário. Disse que queria conversar comigo depois das eleições – lembra Júnior, que voltou a encontrar o Cabral já governador, numa reunião marcada por um amigo em comum.

No encontro estavam outros representantes de ONGs e uma dezena de pessoas que trabalham na área social. Foi quando o governador se colocou à disposição para potencializar ações positivas. À época, já se falava sobre a realização do PAC. As comunidades já estavam até escolhidas: Pavão-Pavãozinho, Rocinha e Manguinhos. Foi quando o coordenador do Afroreggae levou o vice-governador Pezão para um 'passeio de reconhecimento' pelo Complexo do Alemão. Júnior reuniu as lideranças da comunidade e ouviu do governo que também seria feita uma grande obra na região.

– O destino trouxe para o Complexo do Alemão a maior obra já feita em uma favela do Rio. A comunidade hoje tem um teleférico, uma obra imponente e que mostra a atenção destinada aos moradores de favela – opina. 

Ao mesmo tempo em que o Estado destina suas atenções e investimentos para as favelas, Júnior realiza ao mesmo tempo um trabalho importante de ressocialização de ex-traficantes e posicionamento profissional para ex-detentos.

– Nunca tiramos tanta gente do tráfico como está acontecendo agora. Nunca tivemos tanta oportunidade para ex-detentos como vem acontecendo. Minha amizade com o Sérgio é de respeito mútuo. Sou um admirador do trabalho que ele vem fazendo e tenho certeza que ele sabe a importância do que estamos fazendo através do Afroreggae – comenta o coordenador da ONG.

Com as duas agendas apertadas, os encontros não acontecem com a frequencia desejada. Mas os dois estão sempre se falando via e-mail ou troca de mensagens pelo celular. Sempre que acontece alguma coisa importante na cidade, Júnior se coloca à disposição do governador para ajudar como for possível.

– As pessoas hoje vivem melhor, estão tendo mais chances. Está perfeito? Claro que não, ainda existe muita coisa a ser feita. Mas a população agora enxerga uma luz no fim do túnel, e acho que o Sérgio tem papel fundamental nisso tudo – finaliza José Júnior.