Samba se aprende em casa

As histórias do sambista Nelson Sargento e do governador Sérgio Cabral se cruzaram pela primeira vez ainda no início dos anos 1970, quando o ex-militar, figura célebre do Morro da Mangueira, foi indicado para pintar as paredes da casa do jornalista Sérgio Cabral, pai.

Amante do samba com bom trânsito no mundo das artes, não demorou para que a ligação de Cabral com Sargento resultasse em outras parcerias – primeiro com o pai, depois com o filho.

– Minha primeira exposição foi na casa do Sérgio Cabral. Foi uma exposição de sete quadros. Meu primeiro cliente foi Paulo César Batista de Faria, conhece? – pergunta ele, fazendo graça com o nome de batismo de Paulinho da Viola.

Nelson lembra que em 1973 o governador Sérgio Cabral ainda era um garoto, e Cabral pai ainda não tinha sido vereador. Viu o garoto que ainda chama de Serginho crescer e começar a se envolver com política.

– Hoje, se ele se candidatar a presidente da Mangueira, tem meu voto – brinca Sargento.

Entre um jogo do Vasco e outro, time para o qual ambos torcem, Sargento passa os dias dividido entre a música e a pintura de seus quadros, com uma rotina nada ortodoxa, garante ele.

– Eu não tenho rotina pra nada. No momento estou precisando pintar, porque tenho uma exposição marcada, então tenho algumas coisas já prontas. Tem algumas coisas inacabadas aqui – diz o compositor de clássicos como "Agoniza Mas Não Morre", mostrando alguns trabalhos inspirados em personagens do mundo do samba.

Décima oitava comunidade a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora, a Mangueira que agora respira paz já se parece com aquela em que o garoto vindo de Vila Isabel aprendeu a tocar violão, tendo como professores Nelson Cavaquinho e Cartola.

Atualmente morando em Copacabana, Nelson Sargento diz que pouco se arrisca à beira-mar e, na variedade de gêneros da discoteca que ocupa as estantes de sua sala, prefere recorrer ao jazz na hora de pintar.

– Tem um pouco de cada coisa aqui. Tem jazz, choro, samba, alguma coisa de rock. A predominância é samba, mas tem muita coisa de jazz. Eu ouço jazz trabalhando, quando estou pintando. Mas quando eu quero ouvir alguma coisa para deleite, prazer, eu vou ouvir Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Cauby... – revela.